Akihiro Tomioka

Da terra do sol nascente para o Brasil !

Na década de 50, o Japão passava por muitas dificuldades financeiras, foi nessa época em que o jovem Akihiro começou a imaginar uma vida nova em um país distante, que lhe oferecesse oportunidades de trabalho permanente, e assim pudesse ajudar sua família.

Akihiro, com cerca de 20 anos de idade, tomou uma decisão difícil, deixar amigos, familiares e partir para uma terra desconhecida e tão distante, ter que deixar para trás as maravilhas de seu país (a terra do sol nascente).

Ele não iria ver mais o cair da neve no inverno, deixar de ver os belos riachos a correr entre as montanhas, não ver mais os bonsai de seu avô, pois quando criança, brincava e corria entre estas belas árvores em miniatura; e ainda mais, não ver o milenar florescer das cerejeiras (sakurá).

Sabemos que na vida, para chegar ao topo de uma grande montanha, é preciso fazer muitos sacrifícios durante a jornada, muitas vezes nos vemos caminhando solitários, debaixo de um sol escaldante, ou sob uma noite fria, são dias penosos, há momentos que não há para quem pedir socorro, resta somente olhar para o topo da montanha, concentrar nossas forças, mesmo com os pés e mão machucados e continuarmos a dificil jornada.

Com muita disciplina, determinação e a certeza de que um grande oceano é formado por pequenas gotas d´água agregadas entre si ao longo de milhões e milhões de anos.

 (foto: viveiro do Sr. Helenir Candido em 2011)

É assim, a família Tomioka, em meio a tantas dificuldades financeiras, acreditou no sonho do filho, vendeu uma pequena propriedade no Japão para financiar a viagem do jovem para o Brasil.

Sr. Akihiro Tomioka, me contou que foi uma viagem com muitas dificuldades ao longo dos 45 dias de viagem, e o mais penoso ainda era saber que o dinheiro que trazia, só dava para fazer uma única refeição por dia.

Já chegando ao Brasil, com poucas forças físicas, devido a longa viagem e pouca alimentação, ainda continuou com a milenar disciplina oriental, reuniu forças e começou a trabalhar nos cafezais, onde o salário pago era muito pouco, mas nada disso apagava seu sonho de vencer.

Teve que se esforçar muito no trabalho rural e também para se adaptar aos novos costumes e lingua tão diferentes da sua. Todo esforço foi compensado, Akihiro conseguiu reunir algumas economias e trouxe sua família do Japão. As terras que um dia ele lavrou como empregado, com muita determinação, conseguiu comprá-las.

Já em seu próprio sítio, no interior de São Paulo,e somente depois que toda família estivesse estabilizada, ai sim neste momento, pensou em si. Conheceu sua futura esposa, hoje eles têm duas filhas e um filho, mudou-se para Bonfim Paulista-SP e passou a ter uma vida melhor, consertando Tv´s, rádios etc.

Mas nem tudo estava realizado, em seus ouvidos, ainda soava o som dos passarinhos felizes entre o florescer das sakurás. As memórias dos seus parentes e amigos continuavam latentes.

Surgiu então, a ideia de montar uma antena de rádio, com ondas curtas e assim o fez. Isto possibilitou a comunicação com seu país nascente.

Nos anos 70, iniciou o cultivo de bonsai, com uma pequena coleção, entre seus exemplares há: laranja kinkan, malpighia, jabuticabas, caliandras, fícus, azaleias e o tradicional matsu (pinheiro).

Ele também cultivava cactos, como era o costume da época, além de algumas orquídeas.

O que mais impressionou a todos foi o seu estilo de trabalho, galhos semelhantes a um guarda chuva aberto para as tropicais. Sua técnica com os matsu é impressionante, são mame bonsai, com galhos bem ramificados e a curiosa redução no tamanho das agulhas e indo mais adiante, cito o adubo orgânico que ele mesmo faz, o que promove um crescimento muito vigoroso e boa formação em tempo recorde para os bonsai.

Nestes 12 anos em que o conheço, tenho a honra de dizer que o Sr. Akihiro Tomioka é um homem simples, humilde e um dos maiores mestres de bonsai que conheci no Brasil. Sua vida, sua arte, como a de outros grandes mestres, ainda continua no anonimato.

Autor: Helenir Candido